PONTO DO AMOR 2

14:38


Hoje alguém poderia avisar ao meu coração que não se deve se apaixonar por alguém que nunca mais verá na vida? Ele insiste comigo que amar alguém que viu uma única vez é fácil, que não poder ver essa pessoa de novo, está tudo bem, mas não é verdade. Eu não estou bem!
Faz alguns dias que essa menina esbarrou em mim enquanto corria atrás de um ônibus verde, ela não pediu desculpa, apenas por um segundo olhou no fundo dos meus olhos e entendi tudo, aquele seria o pedido de desculpa dela e ao mesmo tempo a chave de entrada pro meu coração frágil. E foi dessa forma, completamente e inesperadamente, que me apaixonei pela menina baixinha, de cabelos e olhos castanhos que esbarrou em mim.
Claro que esta não é a melhor forma de conhecer alguém, muito menos a mulher mais linda que eu já vi, mas não tenho palavras para decifrá-la. Não sei o seu nome, não sei se é comprometida, quem é a família dela, se têm animais de estimação, sua cor preferida, só sei que adoraria conhecê-la, mas provavelmente nunca verei essa desconhecida que fez meu coração saltitar, então estendo a minha mão, como um sinal para que o motorista pare o ônibus e vou para minha faculdade de Direito, hoje começo o terceiro período. Estava bem ansioso para ter aulas com o Sr. Fonseca, na UFMG, mas infelizmente não prestei atenção em nenhuma palavra que aquele bom velhinho dizia, a única coisa que se passava na minha cabeça eram aqueles lindos olhos castanho-escuros que por um segundo olharam pra mim.
Não consegui dormir por mais de três horas e já estava acordado no meu apartamento digitando freneticamente no meu notebook, tentando desesperadamente encontrar algo interessante para fazer além de um longo trabalho sobre Leis Trabalhistas. Acabo optando por um filme qualquer enquanto pensava sobre o assunto do trabalho, deveria ter 50 páginas onde eu deveria descrever a lei escolhida pelo professor e realmente saber como resolver tal caso envolvendo a lei, onde eu em uma semana teria que apresentá-lo diante da turma, dos professores e orientadores, tentando defender meu cliente, na frente de um Juiz do Fórum de Belo Horizonte. Era um trabalho difícil, que valeria apenas 10 pontos da nota total.
Quando começou a amanhecer, parei para um descanso, fui a cozinha e preparei um café da manhã muito saboroso para dobrar minhas energias. Panquecas com morango e mel, vitamina de manga e maracujá... Espera, minha mente me levou para outro lugar, parece outro mundo talvez, mas sei que ainda encontro os meus pés fixos no chão da cozinha. Aqueles olhos. Sim, consigo vê-los em alta definição como se estivesse em uma sala de cinema apenas enxergando eles naquela tela imensa, porém sinto um cheiro no ar e é maracujá, o perfume dela me lembra maracujá... então volto a comer minhas panquecas.
Hoje será o meu primeiro dia de estágio no escritório de advocacia do meu Tio Tom, como não conversamos muito sobre o trabalho, não tenho a mínima ideia de onde ele me colocará para trabalhar, só espero que não seja para comprar café, pois eu tenho quase certeza que ele já deve ter alguém que faz isso por ele. Porém no final do meu dia de trabalho, tive apenas que ficar observando tudo o que meu Tio fazia, para que algum dia eu fizesse tudo como ele, por enquanto estava indo tudo muito bem no meu primeiro "emprego".
Como sempre, voltaria para minha casa de ônibus já que daria tempo de fazer um lanchinho em casa antes de ir para faculdade. Nesta hora, no entanto recebo uma surpresa das grandes, a menina dos olhos castanhos também espera pacientemente o seu ônibus, sei que não posso ir lá e conversar com ela, eu falaria o quê? "Perdão moça, mas acho que a senhorita esqueceu de me pedir desculpas alguns dias atrás." ou " Oi linda, lembra quando me deu um esbarrão? É pois é, eu me apaixonei por você!". Já parecia óbvio que eu não saberia o que falar com ela sem que saísse alguma besteira ou gaguejasse bastante, então preferi observá-la de longe, com os cabelos presos, diferentes da outra vez, com um batom vermelho, cílios enormes ㅡ deve ter passado aquele vidrinho com um líquido preto neles ㅡ as unhas, enormes, nunca havia visto igual, blusa preta, calça jeans e um all star preto surrado e ainda sim estava linda. Usava uma mochila de escola o que poderia significar que ela estuda aqui perto, porém não usa uniforme, então deve estar na Faculdade ou no Ensino Fundamental ㅡ não consigo reconhecer uma faixa média de idade entre pessoas que não tenho nenhum contato, sei a diferença de um idoso para uma criança, um adulto para um adolescente, mas ela é uma adolescente, assim como eu, só que provavelmente bem mais nova ㅡ suponho que ela tenha uns 14 anos, o que seria muito errado gostar dela já que faço 20 no mês de agosto. Mas meu corpo chama por ela, meus olhos não param de admira-la, mas não posso ficar virando o pescoço para trás toda hora, estaria muito na cara que estou a admira-la durante uma dorzinha aqui e outra ali no pescoço, então ela pega o ônibus dela e não esbarra em mim ㅡ fico triste por isso ㅡ e eu faço o mesmo de sempre, dou o sinal e entro da mesma forma que ela, só que em automóveis diferentes.
Na faculdade ainda continuamos com as mesmas matérias, a ida de volta para o meu apartamento continua sendo a mesma, rotinas inalteradas tirando que eu consegui vê-la novamente, o que me deixa muito feliz, estou louco para vê-la de novo, será que consigo? 
E consegui, durante várias semanas após sair do estágio sempre a encontrava sozinha parada no ponto do ônibus, agora já consigo prever suas feições sem ao menos ter escutado uma palavra saindo de sua linda boca, já a vi triste, feliz, com raiva... 
Me saí muito bem no meu trabalho da faculdade, o meu total já era esperado, amo o curso que eu escolhi, algumas partes são cansativas mas a cada palavra absorvida acabo me prendendo e admirando ainda mais a minha futura profissão.
Após sair do estágio como de costume não a encontrei no lugar de sempre, e meu ônibus passou, resolvi esperar o próximo e ir direto para a faculdade para tentar reencontrá-la, demorou um pouco, mas finalmente apareceu, não consegui segurar o sorriso ao vê-la e acho que ela percebeu pois ficou envergonhada, abaixou a cabeça e sorriu de volta, não estava sozinha como sempre e sim com algumas meninas, talvez sejam suas amigas, elas estavam rindo bastante e finalmente tive a chance de escutá-la rir, era uma risada muito gostosa e eu faria de tudo para fazê-la rir assim de novo. Algumas amigas delas começaram a me encarar, não tenho tanta certeza se perceberam que eu também as reparava, mas logo o ônibus da minha amada chegou e tive que me despedir dela sem ao menos falar "tchau". Assim que o automóvel tomou impulso e estava um pouco distante, a única amiga dela que ainda estava no ponto veio em minha direção, ela era mais alta que minha amada, mas ainda sim batia no meu pescoço, era morena, vestia uma blusa de frio salmão e uma legging preta e tênis da mesma cor, neste momento me virei pois não deveria estar estar encarando uma desconhecida e mesmo sabendo que ela passaria por mim ou ficaria perto de mim, ainda sim, levei um susto quando vi que era ela que estava cutucando meu ombro.
ㅡ Levou um susto, foi? ㅡ A menina da roupa de salmão falou.
ㅡ Tenho que dizer que sim! ㅡ Tentei responder sem ser grosso.
ㅡ Eu vi que você estava encarando a Carol, o que quer com ela?
ㅡ Eu não quero nada com ela! ㅡ Enquanto isso eu pensei: acho sei o nome dela.
ㅡ Não mente pra mim garoto, você gosta dela?
ㅡ Eu não conheço ela. ㅡ E isso era a mais pura verdade.
ㅡ Pode até ser verdade, mas ela é minha amiga, se quiser ter algo com ela não a faça sofrer.
ㅡ Ela nunca iria gostar de alguém como eu... ㅡ Gostaria que ela me dissesse que isso não é verdade.
ㅡ Ela também estava olhando pra você e não era como se você fosse um estranho, de onde você conhece ela?
ㅡ Eu não devo explicações pra você e aquele ali ㅡ aponto ㅡ é o meu ônibus, preciso ir embora, foi ótimo conversar com você. ㅡ Porém ela puxa o meu braço com força me fazendo virar o rosto. 
ㅡ Eu ainda não dispensei você! ㅡ Menina abusada!
ㅡ Desde quando você é abusada assim? ㅡ Eu estava perdendo a paciência, agora já não aguentaria ir para a faculdade com essa dor de cabeça que se formou depois de tê-la conhecido.
ㅡ Podemos conversar agora ou vai continuar querendo correr de mim? ㅡ Eu correr? 
ㅡ Ok ok, eu me rendo. Existe uma lanchonete na rua debaixo, é vazio, podemos ir para lá comer alguma coisa. Ou quer continuar esse barraco aqui onde todo mundo está prestando atenção em você?
ㅡ Tudo bem, vamos pra lá!
Chegando lá, realmente não tinha quase ninguém, apenas duas pessoas comendo e uma pessoa no caixa, como não sabia o quanto ficaria ali resolvi pedir uma água e a menina um refrigerante, então nos sentamos em uma mesa perto do ar acondicionado, estava geladinho da forma como eu gosto.
ㅡ Posso perguntar o seu nome pelo menos? ㅡ Perguntei
ㅡ Ana e o seu? 
ㅡ Marcos, por que ficou me agredindo verbalmente no ponto de ônibus?
ㅡ Prazer conhecer você também! Eu não estava agredindo, você só é grosso e é assim que eu trato pessoas como você!
ㅡ Eu não sou uma pessoa grossa Ana, você estava me atacando, mas ainda não sei o que quer comigo. Já te trouxe para uma lanchonete, te comprei um refrigerante, perdi meu ônibus, não irei para a faculdade por sua causa, pode me dizer por quê me procurou?
ㅡ Eu sei que você gosta da Carol, está escrito na sua testa, mas isso não importa muito. Ela gosta de você também, mesmo nunca tendo ouvido a sua voz. Particularmente é estranho vocês dois se gostarem e ficarem enrolando durante meses, pensei que o problema era você, mas pelo visto vocês é que são estranho e muito, muito tímidos!
ㅡ Eu não posso conversar com ela. Não posso ter nada com ela Ana. ㅡ Confessei triste.
ㅡ E por que não?
ㅡ Ela é muito nova pra mim, irei fazer 20 anos daqui a dois meses e ela nem deve estar no Ensino Médio ou na faculdade.
ㅡ Ela têm 17 anos para sua informação e mesmo que tivesse 12 se ela gostasse de você e isso fosse recíproco, vocês deveriam ficar juntos, o que mais te impede de ficar com ela?
ㅡ Eu não sou o cara certo, ela é linda, consegue homens muito melhores que eu....
ㅡ Sem drama garoto, faz um favor pra mim? Você vai atrás dela, vai dar um abraço nela e vai ligar no dia seguinte, porquê se não realmente vai acontecer o que você disse, ela vai achar outro muito melhor que você! ㅡ Então ela se levanta me deixando sozinho com os meus pensamentos. 
Houve uma semana inteira em que ela não apareceu no ponto e por isso acabei ficando triste e muito desanimado, parei de sair com os meus amigos, tentei apenas focar na faculdade e no estágio mas o meu total ainda não parecia nem 1% do eu fazia quando sabia que veria a menina que agora tinha nome.
Na semana seguinte ela finalmente apareceu, não consegui criar coragem suficiente para conversar com ela com ela. Na terça-feira, ela não olhava pra mim, parecia estar preocupada, então tive que deixar pra lá.  Quarta-feira, quinta-feira se passaram sem que ela aparecesse na minha vida e eu prometi aos deuses que conversaria com ela se amanhã, ou seja, sexta-feira, ela estivesse naquele mesmo lugar, nosso ponto de encontro. E para sorte de alguns e nervosismo de outros ela estava, fui devagar andando até ela, cutuquei seu ombro enquanto olhava para o lado e assim que aqueles olhos castanhos pousaram sobre mim, a única coisa que consegui falar foi:
ㅡ Oi, tudo bem?


Este foi a sequência da nossa trilogia tão esperada e pedida. O que estão achando do Marcos e a Carol? Confiram o primeiro episódio aqui!
Beijinhos e até a próxima!

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