Eu e você, sem direção

22:30


Imagina como seria se agora mesmo pegássemos um carro e fugíssemos para qualquer lugar, seja São Paulo, Rio ou BH, Nova Iorque, Paris ou Austrália? Você se arriscaria comigo nessa loucura?
A maior probabilidade para esta resposta seria não. Muitas vezes escutei você me dizer, o Brasil é nosso, Ele é nosso lar, nosso porto seguro, nossa casa, continuar nele é o que nos torna especial. Mas, e se um de nós resolvesse ir para outro lugar, mudar o rumo e não seguir mais o que a mulher do GPS fala, será que ainda sim nos sentiríamos em casa?
Existe o medo, que nos consome e que insiste em não arriscar, a não amar o novo, a não insistir... Porém, gostaria de te pedir, larga tudo e vem comigo? Esquece tudo, esquece o mundo e vêm! 
A muito tempo me recordo da sua promessa, ela funciona como um flashback, que acontece de relance durante os meus dias. Estava tocando a nossa música, na época não podíamos afirmar que ela era tão nossa (talvez a cantora tenha escrito ela pra gente), em certa parte da canção a cantora menciona algo de estarmos sempre juntos, de mãos dadas seguindo uma mesma direção e nesta parte perguntei se isso seria algum tipo de verdade em relação a nós dois e você me prometeu que seria, prometeu que o mundo era pequeno demais para medir nosso amor e que jamais me soltaria...
Mas agora, a cada novo tic tac do relógio essa promessa se torna longe de ser plenamente verdade, tornam nossas lembranças apenas lembranças que poderão ser esquecidas com o tempo. E por falar em tempo, ele se torna escasso e cada segundo se torna algo muito especial, somente você não enxerga que a ficha caiu, que o tempo deve ser aproveitado e cada beijo deve ser guardado.
Hoje, antes de dormir pedirei a todos os deuses dos corações estraçalhados que cuidem de mim, me orientem e que principalmente mudem a sua cabeça, ainda dá tempo de arrumar as malas e me encontrar no aeroporto amanhã. Peço também, que ele perca todo o seu medo de sair da zona de conforto.

Então, eu durmo...

Chegando no aeroporto a minha família se encontra toda de óculos escuros, não por conta do Sol, ele ainda não nasceu, são apenas 4 horas e 30 minutos, mas é para não deixar transparecer os olhos inchados de tanto chorar. A despedida ainda não veio, mas sempre soubemos que uma hora ou outra ela ocorreria. Todos os meus amigos vieram se despedir, alguns choraram outros me encorajaram, forçando-me a não desistir. Porém, existia uma única pessoa que merecia estar naquele grupo, chorando com a minha família me forçando a ficar. A cada ponto final que eu dava em uma frase, as pessoas à minha volta apenas conseguiam perceber que uma garota desconhecida remexia o pescoço em busca do homem do seus sonhos, infelizmente nada dele chegar...
A chamada do voo já havia sido feita, eu já havia começado a me despedir das pessoas e estava segurando as lágrimas, pois eu sentia a necessidade de ser forte por todos ali presentes. Até que uma música incendiou meus ouvidos, a nossa música, o trecho daquela promessa, a voz da Manu Gavassi estava vindo de uma caixinha de som no último volume, segurada por um menino que vinha correndo em minha direção, carregando um carrinho com sua bagagem de mão,  ele havia vindo, iria embarcar naquele voo comigo, eu o amo, pensei  a música não parou de tocar, e com isso cantávamos " Eu e você, sem direção / Me dê a mão e eu me perco mais /  Eu e você, sem direção / Não solte a minha mão jamais".
Quando estas palavras saíram das nossas bocas, os meus olhos que se mantiveram fechados de emoção, que até então estavam sendo fortes, se abriram e então sua boca que estava a centímetros da minha, disseram:
 — Eu e você, de Marte à Milão, não solto a sua mão, jamais.  — e sorriu. 


E desta forma eles deram as mãos, entraram no avião, conheceram o mundo sem direção, sem medo do inserto, somente medo de não saberem o que aconteceria se soltassem as mãos, um do outro.



O texto de hoje fica por aqui. Espero que tenham gostado.
Beijinhos e até a próxima!

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